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sábado, 17 de setembro de 2016

LEONARDO GOMES: Transformando dor, suor e lágrimas em conquistas

Marcus Rezende

Mais uma vez a Escola de Taekwondo Highway One leva a seu dojan um ícone brasileiro do taekwondo para compartilhar com os praticantes da escola suas experiências como atleta. Dessa vez, Ricardo Andrade (diretor da Escola) convidou para participar da segunda edição do evento denominado “Projeto Grandes Nomes”, o peso-pesado Leonardo Gomes, bicampeão pan-americano (2004 e 2006), medalha de bronze nos Jogos Pan-americanos do Rio (2007) e campeão dos Jogos Mundiais Militares (2011).
Leonardo Gomes fala aos alunos da Escola de Taekwondo Highway One sobre sua vitoriosa carreira como atleta
Foram três horas e meia nas quais Leonardo pode contar um pouco de sua trajetória e passar algumas técnicas básicas de treinamento para o alto rendimento.
Leonardo falou sobre o início da carreira, do sonho de disputar uma olimpíada e destacou as amizades que fez nesse período dentro do taekwondo, sobretudo a que cultivou com o atleta Douglas Marcelino (na foto, o primeiro sentado à esquerda), a quem considera um irmão.

 Falou sobre as 23 competições internacionais que disputou e das 19 medalhas que ganhou. Contou o drama de algumas conquistas em meio a dor de sérias lesões no joelho, de todo o suor para manter-se em condições de luta e das lágrimas que nunca o deixaram desistir dos objetivos traçados. Dentre eles o de conquistar a medalha de bronze nos Jogos do Rio, quando fez a semifinal sem poder se sustentar em pé. Ele rompera o ligamento do joelho três meses antes do evento e, em vez de treinar taekwondo nesse período, teve de voltar-se totalmente para a parte física e fisioterápica. Revelou que conquistou o bronze sem conseguir articular a perna.


Na medalha de Ouro em 2011, nos Jogos Mundiais, novamente o joelho o traiu. Mas, dessa vez, além do talento, a sorte estava com ele. Leonardo fez a final com o ligamento do lado esquerdo comprometido. Na luta final desta competição, manteve-se atrás do placar de forma estratégica até os últimos cinco segundos. O adversário era o forte atleta do Iran, Sajjad Mardani. Leonardo relatou que manteve o combate um tanto travado, pois estava com o joelho muito comprometido e não queria que o iraniano implementasse um volume de luta muito intenso, pois poderia não aguentar. O iraniano ficou à frente do placar até o finalzinho do último round, quando o brasileiro desferiu um tolho tchagui com a perna de trás, que pegou em cheio no rosto de Mardani. A arbitragem não marcou os três pontos, porém, por insistência de Leonardo, o técnico Enoir Santos solicitou a revisão do movimento pelo vídeo replay. As imagens mostraram o impacto indubitável. Com a virada do placar em 5 x 3, Leonardo jogou com a regra. Ao reiniciar a luta, ele fingiu avançar e fez um movimento rápido para trás, complementando com uma corrida para fora da área de luta. Em seguida, o guerreiro voltou ao dojan batendo no peito porque já sabia que o Ouro era dele.

 Leonardo Gomes dos Santos levou aos praticantes da HO um exemplo de vida. O garoto que saiu de Goiânia para conquistar seu espaço dentro da Seleção Brasileira de Taekwondo, mostrou por meio de uma história de dignidade e honestidade o grande homem e atleta que se transformou.  

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Desembargador adia queda de Pinto para a próxima semana


 Marcus Rezende

A vida não está nada fácil para o presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Pinto. Além de ter enfrentar o inquérito da Policia Federal e do Ministério Público, que apura crimes cometidos por ele à frente da entidade, chegou ao final, nesta quarta-feira, dia 14 de Setembro,  o processo impetrado pela Federação de Taekwondo de Minas Gerais, que corre na 3ª Câmara Cível do Rio de Janeiro.  A decisão, no entanto, ficou adiada para a próxima semana em razão de pedido de vistas do desembargador Mario Assis Gonçalves.

Neste processo, os advogados Juliano Tomé e Márcio Albuquerque pedem à Justiça, além da reintegração da federação mineira ao corpo de filiados da confederação, a anulação do estatuto aprovado fraudulentamente em 2011 e, consequentemente, todos os atos que decorreram por força dele, inclusive a própria eleição do atual presidente.

O advogado da FTEMG, Juliano Tome, fez a sustentação da acusação e demonstrou que nestes últimos cinco anos, a entidade fraudou auditoria e licitações, destacando os recursos públicos destinados à confederação que totalizam R$ 14 milhões. Dinheiro esse da Lei Agnelo Piva,  Petrobrás e Ministério dos Esportes.

Do lado da CBTKD estava o brilhante advogado Michel Assef Filho, o qual chegou a ser elogiado pelo relator do processo, desembargador Peterson Simão.
Porém, o magistrado disse que o caso em tela exige todo o rigor da lei. O erro começa na Assembleia de Novembro de 2011, quando o estatuto aprovado teria sido modificado e um outro texto registrado no início de 2012. 

Peterson disse também que Carlos Pinto, além de desrespeitar decisões judiciais realizou a assembleia de 2015 sem convidar os presidentes de Rondônia e São Paulo. Além disso, não achou ético que reunião de tamanha importância ocorresse dentro do escritório de advocacia que defende a CBTKD.

O relator definiu a vida de Pinto ao afirmar que ele não exerce mandato válido desde 2011 e que a Lei Pelé autoriza o afastamento dele e de toda a diretoria eleita na chapa “Estamos Juntos” ,  decidindo pelo pagamento de R$ 50 mil a Federação do Estado de Minas Gerais, nulidade da assembleia ocorrida em Novembro de 2015, o afastamento do presidente da confederação e a nomeação de interventores para assumir a entidade por um período de 90 dias.
Os interventores terão de elaborar o balanço contábil, convocar assembleia para a formulação de um novo estatuto e, posteriormente, reunir os presidentes das federações para novas eleições à presidência da entidade.

Na próxima semana, portanto, para decidir, além do voto do segundo desembargador, que pediu vistas do processo,  a desembargadora Renata Cotta também vai votar. A tendência é de que ela acompanhe o voto do relator, por posicionamentos passados desfavoráveis ao atual presidente.

sábado, 20 de agosto de 2016

Maicon Siqueira leva o bronze na Olimpíada e crava o nome entre os melhores do mundo

Marcus Rezende

Maicon Siqueira passa a ser agora a maior referência do taekwondo brasileiro
     Quando no início de 2015 o treinador da Equipe Two Brothers, da cidade de São Caetano, Reginaldo dos Santos me dizia que um jovem atleta estava despontando para se firmar como um dos melhores pesos-pesados do mundo, ele sabia o que estava afirmando.
Ele se referia a Maicon Siqueira, atleta descoberto nos Jogos Regionais de São Paulo. Na oportunidade dos Jogos, Maicon perdeu. No entanto, a derrota não vedou os olhos do futuro treinador, tampouco o do irmão Clayton. Os dois garimpeiros de campeões viram na velocidade e explosão de Maicon um talento a ser lapidado.

   Na ocasião, Reginaldo dizia com eloquência que o jovem iria surpreender e lutar fortemente pela vaga brasileira na Olimpíada do Rio. Em seis meses de trabalho, Maicon já despontava no circuito internacional, desbancando alguns dos grandes atletas do ranking olímpico e mundial.  E não deu outra... No início de 2016, ele conquistava o seu lugar como o peso-pesado do Brasil.

  Quem viu esse jovem atleta de 23 anos lutando com os melhores do mundo nesta Olimpíada, pode reconhecer o talento deste guerreiro e que a medalha foi mais do que merecida.
  Ele foi bronze, mas poderia perfeitamente ter conquistado a medalha de Ouro, dada a consistência técnica de seus movimentos.

   Quando se tem a orientar um atleta com a desenvoltura de Maicon, com competências técnicas tão bem trabalhadas - e do outro lado um adversário também gabaritado e provido de uma estrutura própria de países que não brincam de indicar dirigentes para se sentarem como técnicos – o detalhe tático entre um round e outro pode fazer uma grande diferença.

   Mesmo não podendo contar com o seu técnico, que assistia nas cadeiras da Arena Carioca 3, Maicon foi um grande guerreiro. Focou no que queria e cumpriu aquilo que lhe foi determinado. A medalha de bronze passa a ser um marco para o taekwondo masculino de um Brasil cuja mídia, a partir desta segunda-feira, dia 22 de Agosto, volta a dedicar o tempo de seu noticiário esportivo, quase que exclusivamente, ao futebol.

Infelizmente sempre foi assim. Não é agora que vai mudar. 

Parabéns Maicon pelo grande feito. Curta esse momento único e eterno em sua vida. 
Ficamos por aqui na esperança de que a estrutura do taekwondo brasileiro se modifique.

Parabéns também aos irmãos Reginaldo e Clayton Santos pelo belíssimo trabalho. A medalha também é de vocês!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Quem leva o Ouro até 58 Kg

Marcus Rezende

É difícil afirmar quem vai levar a medalha de Ouro na categoria até 58 kg, dado o equilíbrio técnico existente entre alguns atletas. De um lado está Farzan Fallah, do Iran. 
Farzan Fallah, Iran


Do outro, Tae hun Kim, da Coreia, primeiro e segundo do ranking, respectivamente. Ambos vão ter que estreitar a chave, passando por pedreiras, para lutarem pelo Ouro na final. E qual será esse caminho tortuoso?
Tae-Hun Kim,Coreia


O iraniano, em sua primeira luta, terá de passar pelo marroquino Omar Hajjani, 80º no ranking Olímpico, enquanto Kim enfrentará uma revelação: o tailandês Tawin Hanprab, de 18 anos.



Tawin Hamprab 18 anos
Jesus Tortosa, Espanha
Com boa envergadura, e utilizando a perna direita de forma rápida e precisa, este garoto exigirá do coreano alguns cuidados para não ser surpreendido.

 O iraniano, por sua vez, que deve facilmente vencer o marroquino, encontrará dificuldade no segundo combate quando terá pela frente o vencedor da luta entre Jesus Tortosa (Espanha) e Shuai Zhau (China). Eu apostaria no espanhol. Mas ambos são muito bons. 


Shuai Zhao da China
Na parte baixa da chave, Kim (Considerando sua vitória sobre o garoto da Tailândia) vai aguardar o confronto entre o veterano da Austrália, Khalil Safwan e o belga Ketbi Si Mohamed. Acredito que ambos não sejam páreo para o coreano. 
Ketbi da Belgica pode surpreender

Khalil Safwan,Austrália
Voltando a parte de cima, considerando hipoteticamente que o iraniano vença o espanhol, ele ficaria a espera de um dos atletas dos confrontos entre o mexicano Carlos Navarro e o líbio Yousef Shriha (o Mexicano deve vencer) e o brasileiro Venilton Teixeira e o baixinho israelense Atias Aron. O brasileiro tem mais chances. Neste cenário, o iraniano esperaria o confronto entre Brasil e México. Apesar de torcer para o brasileiro, não acho que ele passe por Navarro. O mexicano tem um jogo tático mais estruturado, apesar de o brasileiro ser muito técnico.


Venilton Teixeira do Brasil
Carlos Navarro do México
Voltando a briga de baixo, onde se encontra o coreano,  quatro atletas na parte intermediária da chave vão brigar para enfrenta-lo. Ruy Bragança (Portugal) pega Oscar Munoz (Colômbia), medalha de bronze na última Olimpíada, em Londres. Ruy deve vencer, acredito, pois está voando. 


Oscar Munoz - Bronze em Londres
Ruy Bragança de Portugal
Um deles vai esperar o vencedor da luta entre o magistral Levent Tuncan (Alemanha) e o vara-pau Luís Pie (República Dominicana).Vou ousar, apostando no Alemão. Se dessa forma acontecer, teremos um confronto sensacional entre Ruy e Tuncan para saber quem enfrentaria o coreano. Difícil dizer quem venceria. Eu torceria por Tuncan, apesar de entender que nenhum dos quatro mencionados acima sejam páreo para Kim, que deve chegar à final contra o iraniano.
Luis Pie, o gigante magro



O alemão magistral Levent Tuncan
E quem levaria o Ouro? O coreano de 22 anos, bicampeão mundial na categoria até 54kg (2013 e 2015) ou o iraniano de 20 anos, campeão Mundial de 2015 no peso até 58 kg.
No último confronto entre os dois, deu Kim por 3x2. Mas Farzan o venceu também no confronto imediatamente anterior.
Omar Hajjani do Marrocos

Mas tudo isso é especulação deste humilde blogueiro, querendo dar pitacos em uma competição que sempre nos surpreende. Na verdade, queremos é que Venilton passe por cima do mexicano e derrube Farzan para chegar à final olímpica.                                    
Yousef Shriha da Líbia

Atias Ron de Israel

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Federação não é equipe! Quando vão entender isso?

Marcus Rezende


O taekwondo brasileiro continua a vivenciar uma política anacrônica de competições nacionais para cuja disputa, em vez de envolver clubes, academias e associações, contempla na verdade 27 federações estaduais. Talvez o taekwondo seja a única modalidade desportiva no Brasil cujas entidades estaduais de administração, em vez de cuidarem do fomento, da organização administrativa e dos campeonatos estaduais, transformam-se em equipes para competir em um Campeonato Brasileiro.

Os dirigentes estaduais cuidam durante o ano de atividades que nada tem a ver com o papel de uma federação. Desde sempre isso acontece. As etapas estaduais (que deveriam servir à plena atividade competitiva) são transformadas em seletivas visando formação de uma equipe do Estado.

Você conseguiria imaginar isso no Futebol? Os clubes participando do estadual e ao fim do campeonato, a federação de cada estado escolhendo os melhores jogadores para a disputa do Brasileirão? E assim, no lugar dos times, a federação do estado passar a ser uma equipe?
Gosto deste exemplo, pois facilita a visualização do quão sem propósito são os campeonatos Brasileiros neste formato.

A preocupação dessa galera dirigente, após as etapas estaduais, passa a ser treinamento das seleções, viabilização do deslocamento delas, alimentação dos atletas e a estadia nos campeonatos nacionais organizados pela CBTKD.  Os dirigentes passam a ser comandantes de entidades transformadas em equipes. Mandam confeccionar uniformes, escolhem treinadores, preparadores físicos, local para treinamento das seleções. Em alguns estados, chega-se ao absurdo de o presidente da federação ser o próprio técnico da seleção. Ao fim da grande festa do Brasileiro de Taekwondo, defendem que os atletas campeões só o foram graças ao trabalho realizado pela entidade.

Os pobres dos treinadores e respectivas equipes que participaram das etapas estaduais sequer são lembrados.
Aos olhos de quem desconhece que isso é um anacronismo, pode parecer algo interessante e organizado. Mas tratando-se de esporte, é surreal. Só mesmo desconhecendo o funcionamento de outras entidades desportivas que realizam um caminho totalmente inverso ao da CBTKD, para acharem que o sistema formatado pelo taekwondo brasileiro é o correto.

Mas por que isso acontece? Há alguns fatores. Mas vou discorrer sobre três deles, os quais acho preponderantes. O primeiro é o da vaidade do cara que acha que manda no pedaço estadual. Ele acredita mesmo que é o dono do taekwondo no estado e que, sem a Federação, não há vida taekwondista. E ainda sendo dono, e se achando plenipotenciário, também possui vaidade e quer ser chefe de uma equipe competitiva.

O segundo está mesmo no fato de ignorarem o que significa dirigir uma entidade de administração desportiva. A que serve esta entidade e quais as suas limitações legais à luz das leis do esporte e da própria Constituição.

 E a terceira segue a lógica de ganho pecuniário fácil na hora de dar acesso aos atletas às seleções estaduais. Nessa hora, os faixas-pretas registrados devem ser aqueles que foram examinados pelos SENHORES DO SABER ETERNO (coincidentemente os dirigentes das entidades). Uma forma de forçar o pobre do professor e mestre do Estado a entregar seus atletas às Bancas Examinadoras compostas por aqueles que detém o poder da federação e que vão auferir a taxa de exame deste praticante.


Portanto, está mais do que na hora de as federações entenderem o seu verdadeiro papel e deixar que as competições nacionais ocorram por agremiações, acabando de vez com a formação de seleções estaduais. Isso chega a ser primário aos olhos de uma administração desportiva moderna, ainda mais se tratando de uma modalidade individual.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Até quando os mestres e professores vão se submeter à ignomínia

Marcus Rezende


Com tanto dinheiro público jorrando nos cofres da CBTKD, fica fácil para quem comanda entidade, pôr nas mãos a maioria absoluta dos presidentes das federações. Pra reinar absoluto, o chefe precisa do apoio incondicional de pelo menos 14 deles.  Dessa forma, com tanto cargo remunerado com dinheiro público, podemos afirmar sem erro que essa não é a maior preocupação do Rei.

Além dos cargos remunerados, há para o deleite financeiro dos apoiadores do chefe,  a promessa dos investimentos que a entidade mãe pode fazer às  filiadas. Como exemplo, temos o apoio às competições abertas, chanceladas pela CBTKD, e que valem pontos no ranking nacional. A pergunta é: para onde vai a grana das inscrições destas competições?

  O preâmbulo acima serve para que os faixas-pretas deste país comecem a perceber que se tornaram  peças descartáveis deste jogo. Os mestres e professores  só perdem quando começam a estimular seus praticantes a se tornarem atletas.  

Não vou enumerar aqui o quanto de prejuízo tal investimento acarreta; cada formador de atleta sabe muito bem o custo-benefício em se doar para dar as bases competitivas ao praticante. Muitas vezes, depois de anos de desgastes, a ficha daquele praticante seduzido a virar atleta cai e ele percebe o futuro incerto que o taekwondo de alto rendimento pode lhe proporcionar. Uns nem chegam a decolar, pois abandonam o jogo, logo que descobrem quão despreparados são os dirigentes do taekwnondo brasileiro.

Há mestres, hoje, que relatam se arrependerem de terem influenciado alguns praticantes a se tornarem atletas. Isso porque, muitos abandonaram os estudos e se dedicaram integralmente ao treinamento e à busca de uma vaga na seleta Equipe Olímpica do Brasil.

Mesmo recebendo uns caraminguás, alguns atletas acabam acreditando que a vida dura (de treinamentos diários) trará a ele o merecido reconhecimento no futuro. Ledo engano. Depois que a carreira acaba, nem  tapinha nas costas ele recebe.

Quero, todavia, deixar claro que em qualquer país desenvolvido, a entrega de um atleta ao mundo competitivo vale a pena.  Lá fora, pra começo de conversa,  não há chances para a mediocridade administrativa.  Assim sendo, os atletas,  possuem a certeza de que à frente de suas entidades estão pessoas preparadas.

  Aqui, é tudo estranho e bem diferente. Talvez  tenhamos dirigentes que sobrevivam  financeiramente das entidades que comandam. O cerco  lucrativo passa também pelo momento em que o formador (mestre ou professor) precisa levar ao primeiro Dan o atleta que está treinando, para que ele possa lutar como um faixa preta.

Nesse momento, eis que pode aparecer a figura do presidente dizendo que o atleta só pode lutar no circuito olímpico brasileiro se fizer exame de faixa preta com a banca examinadora que a entidade definir. Nessa hora, a federação pode decidir que o mestre examinador, coincidentemente será o presidente da entidade, em  razão da graduação que possui. E, aí, o postulante à faixa-preta (que tem o sonho olímpico) terá de pagar a taxa de exame a este examinador. É muito comovente!!!

  Portanto, mestres  professores de taekwondo deste Brasil, enquanto este tipo de dirigente estiver dirigindo a federação do seu estado, não leve seus praticantes às competições organizadas por elas. Ensine as bases do taekwondo marcial e do competitivo, naturalmente.
Não se intimide com ameaças destes dirigentes. A lei te protege. Eles não são donos do taekwondo. Eles são donos da federação que comandam. 
Passe a cuidar de sua academia. Crie o certificado de sua escola. Ao faixa-preta, encontre meios de registrá-lo em entidades internacionais reconhecidas, como a Kukkiwon.

Não é função de federação e confederação graduar praticantes de taekwondo. Por acaso a WTF entrega certificado de faixa-preta?  Apenas pede  que o faixa preta comprove a graduação por meio de certificação de entidades como a Kukkiwon.
Experimente levar a sua carteirinha da CBTKD a uma competição aberta chancelada pela WTF e tente se inscrever. 

Há de chegar o dia em que a CBTKD terá um presidente digno de respeito. Alguém que terá a coragem de chegar ao pé do ouvido de cada dirigente estadual e dizer a ele: "vamos consertar tudo isso; está tudo errado". E complementar humildemente que não é correto o que vem sendo feito com os mestres e professores deste país.


Quando esse dia chegar, voltemos a nos filiar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Quem são os reis da cocada preta no taekwondo brasileiro?

Marcus Rezende


Para entender por que os presidentes de federações acreditam hoje serem os donos do taekwondo nos estados é preciso voltar no tempo e relembrar como todo esse processo se deu. Entre tantos fatores, um deles é marcado pela unidade marcial entre discípulos e respectivos mestres coreanos por cujas mãos foram sendo criadas as primeiras entidades de administração.
Em meados dos anos de 1970, de forma a dar uma cara organizacional desportiva à arte marcial que já se apresentava como esporte (após a fundação da Federação Mundial de Taekwondo), os mestres coreanos do Brasil trataram de se associar à Confederação Brasileira de Pugilismo no intuito de legalizarem as próprias competições estaduais e nacionais de taekwondo.
Quem deu início a todo esse processo foram os mestres Wo Jae Lee e Jung Roul Kim, do Rio de Janeiro. No entanto, foi JRKim quem, posteriormente, deu o primeiro passo à formação do que viria a ser mais tarde a CBTKD. Mesmo com todas as dificuldades inerentes à língua portuguesa, o mestre, com boa base superior educacional e formado em Engenharia Eletrônica, estudou a legislação desportiva do Brasil e preparou o estatuto da primeira federação estadual em 1982: a do Rio de Janeiro.
Em seguida, o modelo foi entregue aos coreanos dos outros estados, para que fizessem o mesmo. Dessa forma, estando as federações em mãos de quem possuía o pleno comando da arte marcial em cada estado, não havia como o praticante não se tornar parte integrante das entidades.
Sendo assim, a partir de 1982, todo o praticante matriculado em uma academia estaria direta ou indiretamente ligado ao mestre coreano daquele estado. Este aluno, ao realizar o primeiro exame de faixa, se via praticamente obrigado a se filiar à respectiva federação comandada pelo mestre coreano. Isso, ao longo da história, acabou se tornando absolutamente normal e poucos questionavam a legalidade de tal ação.
Entretanto, quando algum professor brasileiro decidia não registrar mais seus alunos à federação do estado a que pertencia, passava a ser considerado um “pecador”. O taekwondo que ele ensinava tornava-se uma espécie de taekwondo clandestino.
No Rio de Janeiro, no entanto, isso se dava de forma um pouco diferente; somente os alunos da Escola Moo Duk Kwan, do mestre Jung Roul Kim (que comandava a federação do Rio) eram “obrigados” a registrar-se à federação.
Os mestres Yong Min Kim (que passou a comandar a CBTKD), Nam Ho Lee (que ensinava no Bairro do Meier) e Shin Hwa Lee (com academia na Tijuca), não registravam todos os alunos. Só o faziam no interesse de disputar as competições estaduais organizadas pela entidade. O mestre Jung Roul Kim nunca ligou muito pra isso. Sempre os deixou bem à vontade. Aos compatriotas, a pecha de clandestino não cabia; ela só servia aos brasileiros que decidiam se desvincular das federações.
E essa prática se tornou tão comum ao longo dos anos, que os presidentes das federações passaram a entender isso como uma obrigatoriedade legal, desconsiderando o que reza a Constituição Federal, cujo artigo V, inciso XX, especifica que ninguém é obrigado a se filiar ou manter-se filiado a qualquer entidade de administração desportiva.
`Portanto, baseado na constituição, qualquer faixa preta pode abrir uma Escola de taekwondo em qualquer lugar do Brasil e ensinar a arte marcial coreana sem dar a mínima bola a qualquer federação que seja. Pode também, por meios diversos, buscar graduação e registro internacional em entidade de reconhecimento mundial e também registrar seus alunos. Pode criar o certificado da própria Escola no intuito de documentar a graduação dos alunos. E pode ainda, a partir do momento que tenha o registro em órgão reconhecido pela WTF (como a Kukkiwon), requisitar registro à federação estadual ligada à CBTKD, nos casos em que achar necessário.
É a lógica: “Quem pode mais, pode menos”.
Obviamente, que por estes meios, as entidades acostumadas com a centralização do taekwondo do estado, ainda procuram criar enormes dificuldades para impedir o acesso deste aluno com certificação internacional. Porém, tais impedimentos não se sustentam perante a lei, cabendo processo e até indenização por tentativa de impedimento do atleta ao sistema olímpico.
Ainda hoje, em alguns estados, alguns dirigentes ainda não conseguiram entender que uma federação é tão somente uma pessoa jurídica de direito privado para cuja manutenção legal há de cumprir certas exigências estabelecidas pela lei desportiva. Porém, uma federação de taekwondo só existe porque a modalidade já existia antes com os respectivos professores e porque três associações se reuniram para criá-la.
Ou seja, grosso modo, fazendo uma analogia, as federações são filhas das associações e netas dos praticantes associados.
Não pode a federação, por mais organizada que seja, achar que é a dona da cocada preta. A cocada preta pertence aos mestres, professores e praticantes, os quais possuem a liberdade de escolher se querem ou não fazer parte do sistema federativo e confederativo.

Portanto, já está mais do que na hora, para o bem do taekwondo brasileiro, que as federações se reconheçam como aquela que precisa do praticante e não o contrário.  

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Taekwondo marcial ainda esquecido

 Marcus Rezende


   Se sairmos hoje às ruas perguntando às pessoas se conhecem a capoeira, o caratê, judô, jiu jitsu e até mesmo o Muai Thay, dirão que sim; que são lutas marciais de cuja eficiência cada uma delas se caracteriza distintamente uma das outras.
E o taekwondo? A maioria dirá que não conhece. Outras dirão se tratar de uma luta. Algumas lembrarão tratar-se da modalidade da medalhista olímpica Natália Falavigna e de Diogo Silva (os maiores ícones brasileiros desta modalidade marcial desportiva).

Porém, a esmagadora maioria dos que disserem conhecer o taekwondo descreverá o seu conhecimento pelo ângulo desportivo e dirá tratar-se de uma luta cujas características se baseiam em regras definidas pelo contexto do olimpismo. Ou seja, uma modalidade para cuja eficiência marcial o atleta precisa saber usar as pernas.

Diferentemente do taekwondo, as regras de competição das lutas marciais sobreditas não passam pela gigantesca diferença entre o que se ensina na academia enquanto arte marcial e o que se pode utilizar na hora da competição.

Já na modalidade coreana, a diferença é brutal. Pergunte ao professor ou mestre de taekwondo quantas vezes precisou explicar aos outros (àquele que diz conhecer o taekwondo) que a arte marcial não se limita ao uso das pernas, e que o aluno aprende também a socar, defender-se, aplicar cotoveladas, cuteladas, joelhadas, chutes baixos, entre outras técnicas proibidas na competição olímpica.

A partir deste ponto, chegamos ao cerne do problema que envolve o taekwondo marcial praticamente desconhecido e o taekwondo olímpico parcialmente divulgado e entendido por regras específicas. Toda vez que o taekwondo tem a oportunidade de aparecer na mídia, uma luz de esperança acalenta o coração de quem ensina a modalidade. Fica sempre a esperança de que no dia seguinte, dezenas de pessoas estarão se matriculando em academias próximas de onde residem. Foi assim em 2000, quando o Brasil participou com a atleta Carmen Carolina, nas Olimpíadas de Sidney, até o dia em que Natália Falavigna empunhou a tão sonhada medalha olímpica em Pequim 2008.

Porém, de concreto, no que concerne ao verdadeiro conhecimento do que seja a modalidade, nada aconteceu. As academias continuam vazias e o interesse pelo taekwondo ficou ainda mais comprometido com a forte exposição na mídia dos eventos de MMA, para cujo acesso (sobretudo no UFC ) os requisitos marciais de um lutador estão no domínio do Jiu jitsu, Muai Thay, Wrestle e um pouco do caratê por causa do lutador Lioto Machida. Para desconstruir um pouco esta máxima, nem o nosso embaixador do taekwondo, Anderson Silva, deu uma forcinha.

Dessa vez a comunidade docente taekwondista se apega à nova exposição da modalidade à telinha da Globo. A novela Malhação abrirá espaço para apresentar, mais uma vez, o taekwondo como esporte e não como arte marcial. O ator Murilo Rosa, que foi praticante nos anos de 1980 e 1990, fará o papel de treinador de um atleta. A direção será coordenada pelo abnegado mestre Alan do Carmo, do Rio de Janeiro, e toda a trama dar-se-á em torno de uma competição.

Para efeito de divulgação do nome Taekwondo, tal inserção na mídia global é melhor do que nada. Mas muito aquém do que precisamos para divulgar maciçamente a essência da modalidade.

Assim sendo, temos que permanecer conscientes de que o caminho para a ascensão desportiva do taekwondo, por mais paradoxal que seja, está no fomento da modalidade enquanto arte marcial.
Por mais que a internet esteja ajudando neste propósito, com a divulgação de diversos vídeos, há muito o que fazer. Os professores e o mestres precisam levar a modalidade para fora das quatro paredes de suas academias e apresentá-la dessa forma à sociedade. O lado competitivo, obviamente, deve estar inserido como parte do contexto, porém, subjugado a alusão clara de que o atleta surge do seio marcial.


Assim penso.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

CBTKD convida para exame de faixa no Acre

Marcus Rezende


Se o taekwondista brasileiro fosse um sujeito mais esclarecido, a maioria das federações estaduais que pouco fazem pelos mestres e professores de taekwondo do estado em que atuam e a própria CBTKD estariam realmente falidas. Mas como não é assim, ainda há quem se submeta ao escárnio das bancas examinadoras promovidas por esta entidade.

A falência a que me refiro já deu as caras. A aparente organização que demonstram possuir, se dá em razão do financiamento público cuja tendência é minguar logo após as Olimpíadas.
E nesta toada, o negócio é arrecadar a grana em exames de faixa de quem quer ostentar altas graduações.

No site paralelo da confederação, podemos apreciar o recente convite feito aos faixas pretas do estado do Acre, para que participem do exame de faixa que deve ocorrer em 28 de Dezembro.

A CBTKD faz questão de ressaltar que só receberá as taxas de registro da entidade, conforme a tabela. Porém, apresenta os singulares valores das taxas de exame de primeiro a sétimo dan (de R$ 860 a R$ 6 mil), sem definir quem vai levar o dinheiro.

A CBTKD esclarece que a banca examinadora é ela quem escolhe. Ou seja, o dindim da famigerada taxa vai para os mestres que compõem esta banca.

Enquanto alguns incautos se submetem a isso, a despeito de estarem obedecendo uma legalidade imposta, os mestres mais esclarecidos, obviamente, já há muito tempo, não dispensam um centavo de seus alunos a estes dirigentes que teimam em achar que mandam no pedaço. 

Centenas de profissionais do taekwondo por este Brasil afora estão se lixando para estas entidades. Não sentem a menor falta de se registrarem a elas, pois já perceberam que o trabalho que realizam não muda em nada. As federações até poderiam ser importantes. Mas não são porque não sabem ser.

Com a evolução das comunicações e a troca imediata de informações, muitos mestres perceberam que não dependem destes caras para manter o seu trabalho; que podem constituir a própria escola de taekwondo e certificar seus alunos com uma identidade própria. Muitos ainda já travam contato direto com entidades internacionais para um respaldo mais abrangente.

Diriam alguns dirigentes: E o sonho Olímpico dos praticantes?
Responderiam os mestres e professores: Quem os têm?
O sujeito que procura uma academia de Taekwondo quer aprender a se defender e não se tornar medalhista olímpico.


Se nos detivermos, por exemplo, aos grupos do facebook descobriremos muitos mestres e professores independentes trabalhando sem se importar com estas entidades. Essa é uma tendência natural. Cabe aos administradores do taekwondo brasileiro avaliarem o quadro e se reinventarem.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Tomando consciência do direito de ensinar sem precisar se federar

Marcus Rezende

 Seria tudo tão mais fácil para o taekwondo brasileiro se as pessoas que detêm o poder nas entidades de administração deste país compreendessem que a vida da modalidade não depende do poder que possuem, tampouco dos agrupamentos administrativos desportivos que dirigem e que, para o ensino do taekwondo, a lei do país respalda mestres e professores que não queiram se vincular a eles. 

Se fossem conhecedores da lei do país perceberiam que cada escola de taekwondo possui realidade própria e não deve ser tutelada por qualquer  entidade de administração desportiva que dirigem. 

Sendo assim, o que deveriam fazer para fortalecer a entidade? Teriam de envidar esforços para convencer mestres e professores a fazerem parte de seus grupos federativos, apresentando aos verdadeiros donos do taekwondo a máxima do servir e não do ser servido. Ou seja, tentariam demonstrar a estes mestres e professores que a união de todas as escolas em torno de uma entidade poderia gerar um ganho maior a todos. Ponto final. Não tem outra regra. Não adianta ficar inventando fórmulas  estatutárias que burlem a lei maior do país, sobretudo garantias individuais estabelecidas na Constituição Federal.

Mas o que estamos vendo ainda no Brasil? Uma total falta de entendimento desta máxima e o consequente recrudescimento destas entidades, cuja intransigência faz com que os mais antenados e conscientes se afastem e passem a cuidar de sua escola de forma independente sem se preocupar com o tão distante e difícil sonho olímpico. 

Estes mestres mais ligados nos direitos que possuem, ensinam a arte marcial, graduam seus alunos entregando-os certificados de sua própria escola. Em alguns casos, fazem o link direto com o órgão máximo do taekwondo mundial, o Kukkiwon, e registram os faixas pretas diretamente e sem intermediários.

Do outro lado ficam os menos esclarecidos acuados e com medo de que a federação os proíbam de ensinar o taekwondo; submetendo-se ao escárnio e mantendo-se desestimulados a fomentar o trabalho que realizam.

As federações, achando que o taekwondo gira em torna delas, passam a transformar-se em agremiações, jogando pra si a responsabilidade sobre o treinamento de atletas e o gerenciamento das práticas marcial dos adeptos do estado. E nesse gerenciamento estão os almejados e rentáveis exames de graduação cuja responsabilidade deveria ser da escola original, mas que é transferida por alguém indicado por um dirigente, o qual, no mais das vezes, é o próprio examinador.

Muitas destas entidades acreditam que os mestres e professores independentes estão sofrendo e se importando com o fato de não fazerem parte do sistema olímpico. Como se o praticante ao procurar uma academia para treinar, quisesse em primeiro lugar saber se poderia ser um atleta olímpico.


Portanto, se as federações não se reciclarem e não entenderem o seu real papel neste contexto desportivo, vão ficar a ver navios, pois a tendência agora é que as relações entre as comunidades taekwondistasa se estreitem e que as informações cheguem de uma forma mais sensível a cada um desses atores. 

Se os dirigentes continuarem a insistir na tese de que a federação deve preparar atletas e examinar praticantes, será engolida em pouco tempo, pois rapidamente a consciência do que é certo e legal dentro do direito de ensinar, dará a cada professor e mestre o rumo que ele deve seguir

domingo, 15 de novembro de 2015

Presidentes do taekwondo vendidos aos CREFs

Marcus Rezende

Mesmo com toda a jurisprudência favorável aos professores e mestres de artes marciais, ao longo de todos estes anos, o assunto CREF volta a ser debatido nas redes sociais. Às vezes ilustrada com alguns dirigentes vendidos do taekwondo nacional  posando pra foto ao lado de homens fortes de Conselhos Regionais de Educação Física.
Estes dirigentes, além de se acharem donos do taekwondo estadual, e obrigarem professores, mestres e os respectivos alunos a se registrarem à federação que comandam, querem também o registro deles aos CREFS, pondo-os sob a ameaça de ficarem impedidos de ensinar.

Quando este tema é debatido, muitos faixas pretas formados em educação física acabam se posicionando a favor desta barbaridade, por acreditarem que o professor ou mestre de taekwondo precisa de melhor qualificação, não bastando o que sabe no campo da arte marcial.

Ninguém é tolo de achar que qualificação em fundamentos da educação física em prol do taekwondo ou qualquer arte marcial não seja importante. Óbvio, que é bem-vinda. Da mesma forma que ensinar fundamentos básicos de outras artes marciais também o é.

Às vezes é necessário expor a questão de forma bem exemplificativa para que a questão seja bem compreendida, isso porque quando nos referimos ao taekwondo, que já está no Brasil há muitos anos, os defensores da submissão aos CREFs (os quais em sua maioria se formaram faixas pretas com alguém cujo conhecimento se restringia única e exclusivamente à própria modalidade) esquecem-se disso.
E agora que já conhecem a modalidade e se graduaram bacharéis em educação física, passam a entender que para ensinar taekwondo torna-se fundamental e obrigatório que o professor tenha formação em educação física. 

O argumento dessa gente se baseia no fato de que a sociedade corre uma série de perigos, visto que (na concepção deles) há um monte de picaretas ensinado a modalidade. Desconsideram o preceito constitucional legal de que todo o trabalho não especificado em lei é permitido. Querem porque querem que o taekwondo esteja no campo da educação física. Chamam o praticante comum de atleta, pelo simples fato de se inscrever em uma competição. Alegam que há mestres de taekwondo prescrevendo treinamentos, quando isso seria uma prerrogativa de um educador físico. Deixam até de considerar que, na verdade, quando se trabalha com um atleta de alto rendimento, o preparo técnico e tático, na verdade, precisa ficar obrigatoriamente a cargo de um treinador perito em técnicas de competição e a preparação atlética nas mãos de um educador físico ESPECIALIZADO em treinamento desportivo e não simplesmente nas de um bacharel em educação física.

Tirando a máscara

Agora façamos um exercício real. Digamos que surja de repente no Brasil renomados mestres de uma modalidade marcial ainda inexistente e de eficácia comprovada querendo ensinar aos brasileiros. Seriam impedidos de fazê-lo a despeito de não possuírem os conhecimentos desejados pelos CREFs?

Nessa hora, o defensor à submissão aos CREFs, que por ventura queira aprender a nova modalidade, não vai procurar saber qual deles conhece mais os fundamentos da educação física, mas sim aquele que mais sabe ensinar as técnicas marciais.

Não precisamos ir longe. Aqui mesmo no Brasil, se um defensor dos CREFs decidir treinar jiujitsu, possuindo duas opções a escolher: uma com o velho Hélio Grace (nos tempos áureos e com todo o seu conhecimento da arte marcial) e outra com um faixa preta comum, desconhecido, mas com todas as especializações possíveis em educação física, quem ele escolheria?

Portanto, nesta questão de artes marciais versos CREFs, quando nos deparamos com faixas pretas defendendo tal submissão, percebemos um misto de desconhecimento, egoísmo, oportunismo e hipocrisia.

Ainda bem que a Justiça está aí para não deixar os oportunistas do momento se criarem.  

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Justiça manda e Pinto convoca assembleia

Marcus Rezende
    

O presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Pinto, convocou para 9 de Novembro uma Assembleia Extraordinária. Será na Avenida Graça Aranha 416, 11º andar, no centro do Rio. Pinto terá de alterar novamente o Estatuto da entidade, em atendimento a decisão da 16ª Vara Cível do Rio de Janeiro que anulou todas as modificações perpetradas pelo atual mandatário da confederação na fatídica reunião de Novembro de 2011, quando incluiu no texto da entidade regras inconstitucionais.
Ou seja, hoje o que vale é o Estatuto de 2007.

    Poderíamos então inferir que todos os atos emanados em cumprimento ao estatuto posterior (anulado pela justiça) não têm validade? Daí, podemos entender que a própria eleição de Carlos Pinto não valeu? Se não valeu, a CBTKD estaria sem presidente? Deveria Jung Roul Kim retornar à presidência e promover uma nova eleição?

    Obviamente que Pinto não é bobo e não vai dar mole. Tem cartas na manga e sabe que possui a maioria dos votos. Porém, mesmo com todo o apoio da maioria dos presidentes das federações, Pinto pode receber uma dura estocada da Justiça.
   
   Para Márcio Albulquerque, advogado da Federação de Taekwondo do Estado de Minas Gerais (FTEMG), a CBTKD não pode realizar uma assembleia de atendimento a uma decisão judicial sem antes repatriar as federações cujas desfiliações foram baseadas justamente no estatuto ilegal que ele aprovou.
  “Ele está querendo ganhar tempo...está com medo de a juíza afastá-lo”, disse o advogado ao saber da convocação desta reunião, acrescentando que a CBTKD ainda não cumpriu nada da decisão da justiça.
  Um dos pontos ressaltados pelo advogado é o não cumprimento de informar quais federações tem direito a voto nesta assembleia do dia 9 de Novembro. “Ele tem que colocar no site quem são os filiados; isso foi pedido”, alerta.

  A verdade é que o caso não sai mais das mãos da juíza da 16ª Vara Cível, Adriana Sucena Monteiro. Dela virá a sentença final.  E que venha logo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Criador cria criatura pra falar por ele

Marcus Rezende

Existe um tal de Brian Junior no taekwondo brasileiro que não tem rosto e nem alma. Ele se confunde com o próprio criador quando o negócio é defender a atual gestão da CBTKD. Porém, ninguém o conhece. Ninguém nunca o viu. Ele é tão-somente uma figura virtual e de ficção, mas acha que manda no taekwondo brasileiro, não admitindo que falem mal dos gestores da CBTKD.
Parece confuso esse preâmbulo, né? Mas aos que já estão acostumados com as estripulias de Brian, desde a época em que o covarde escrevia em um blog anônimo, sem se apresentar, fica tudo muito claro.
Esse personagem tenta calar a minha voz, mas não consegue.
Em 2012, engendrou uma tentativa de cercear meu trabalho profissional como comentarista do taekwondo no canal SporTV.
Juninho sapeca (como passamos a chamá-lo) enviou cartinha aos responsáveis pela seleção de comentaristas das Olimpíadas, na tentativa de que a produção do canal pusesse outro profissional em meu lugar. Um ingênuo!



Ao receberem a cartinha
informando que a direção da CBTKD havia me aplicado uma suspensão, e que portanto eu não poderia ser comentarista, alguns profissionais da casa, que me conhecem desde o ano 2000, demonstraram um misto de incredulidade e indignação com tal postura.


Mas Brian Junior , depois da fracassada tentativa, quis ir mais longe. 
 Agora em Julho ele enviou anonimante ao Ministério da Justiça um pedido para que eu fosse punido pelo que escrevo.
Ele teria ficado com raivinha das publicações do meu Blog cujo teor é de críticas acerbas à gestão do atual mandatário da entidade.
A Corregedoria do órgão do qual pertenço não deu muita atenção ao pedido improcedente e sugeriu que o MJ arquivasse tudo, enviando-me o material que o anônimo Brian Junior preparou.
E Brian continua a defender o gestor da CBTKD. Mas não adianta, Brian; ele fala e faz muita besteira. Enquanto não trabalhar direito, continuarei a criticá-lo em defesa dos mestres, professores e praticantes de taekwondo do Brasil.

Quanto a esta tentativa infantil, quero informar ao anônimo que o fato, na verdade, ajudou a divulgar o meu trabalho e pode abrir (mais do que fechar) as portas.