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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Encontro com meu ídolo

César de camiseta esverdeada. Na ponta esquerda, o mestre João Henrique (um dos mais antigos do TKD brasileiro) e na outra ponta (ao lado de César), meu amigo Carlos Fernandes, presidente da Federação do Rio


Depois de 30 anos revi uma das pessoas que mais admirei dentro do taekwondo. Seu nome Luiz César Silva. Aos 16 anos, quando comecei a treinar com o mestre Jung Roul Kim, na Rua da Carioca (centro do Rio), me deparei com essa figura. Ele simplesmente fazia o que queria com as pernas e com quem estivesse a sua frente.

A técnica de César era de impressionar. Ele treinava 8 horas todos os dias e foi o motivador da excelência em meus treinamentos. Foi ele quem me fez compreender a importância de se treinar diariamente e de executar não menos que mil chutes por dia.

O encontrei na II Etapa do Campeonato Carioca, na cidade de Volta Redonda. Fiquei imensamente feliz em vê-lo novamente.

Minha admiração por esse grande lutador era maior porque nos combates dentro da academia ele era incapaz de se aproveitar de sua superioridade, mesmo com praticantes mais graduados que ele.

Em 1981 ele se afastou do taekwondo Môo Duk Kwan por divergir da política implementada pelo mestre Jung Roul Kim. Foi uma perda irreparável para o taekwondo brasileiro


MP gaúcho proíbe criança de lutar como adulto

Fiquei muito feliz quando li no site Tkdlivre que o Ministério Público do Rio Grande do Sul proibiu que crianças naquele estado compitam nos mesmos moldes que adultos e adolescentes. O MP firmou um acordo com a Federação gaúcha em defesa das crianças praticantes de taekwondo. O promotor gaúcho Luciano Dipp Muratt tomou a decisão mais acertada em favor da manutenção desses jovens dentro da modalidade. A não exposição de crianças aos fortes golpes (mesmo com toda a proteção), além de ser a garantia da preservação físico-psicológico da criança, possibilita que professores não percam alunos.

O trabalho junto ao MP gaúcho é do mestre Juliano Tomé, um especialista em direito desportivo que vem contribuindo enormemente com algumas lutas em favor do taekwondo brasileiro. Ele é um dos que também lutam contra a ilegalidade dos exames de faixas.

Venho lutando para que os dirigentes mudem o foco das competições para crianças, retirando os placares eletrônicos, os chutes fortes nos protetores, concebendo apenas (no frente a frente) a exposição da técnica sem o contato. Competição sem contato físico evita a pesagem; as categorias são feitas por idade. Evita que alguns professores cometam o absurdo, por exemplo, de expor uma criança com 35 quilos a ficar em jejum para perder peso.
Espero que a decisão do promotor gaúcho reflita em outras federações e que a CBTKD possa se sensibilizar e decretar, por meio de sua direção técnica, o fim das competições das categorias mirim e infantil nos moldes em que lutam adolescentes e adultos.
As categorias de peso mirim e infantil foram inventadas há mais de 20 anos sem nenhum critério técnico.

terça-feira, 9 de março de 2010

Primeiro a arte marcial, depois a competição

Outro dia estava revendo uma fita minha de 1984. Foi quando pela primeira vez uma equipe coreana esteve no Brasil para fazer um intercâmbio. Eram 10 categorias. A minha era a segunda. Lutei contra um coreano chamado Ham Jum, que viria a se tornar campeão mundial 5 anos depois. Daquela equipe gloriosa do Brasil, apesar de muito esforçado, sabia de minhas limitações e não havia como fazer muita coisa frente aquele coreanozinho de apenas 16 anos, como fizeram Carlos Eduardo Loddo (O Caroço) e Carlos Fernandes (O Carlinhos). Ambos deram muito trabalho aos coreanos.

Naquela época, o taekwondo era muito praticado no Rio e em todo o Brasil. No dia desse memorável encontro Brasil X Coréia, o Tijuca Tênis Clube estava lotado.

Daquele momento em diante o taekwondo arte marcial (praticado por nós brasileiros) não seria mais o mesmo. Ele passaria a ser o taekwondo competição dos bandais, dos clinches, dubais etc. Enquanto levantávamos a perna para aplicar nérios, yops e mondolhos, os coreanos entravam bandal por baixo e tolhos puxados de trás com velocidade impressionante.

A promessa de que a arte marcial se tornaria esporte olímpico tirou o foco da grande maioria dos professores que passou a formar atletas de competição, deixando a de lado a preocupação com a essência da arte marcial.

Coincidência ou não, o fato é que os praticantes começaram a sumir das academias. Os professores custaram a entender que o foco no olimpismo não poderia ser o carro chefe de suas academias. Os professores deveriam continuar a enfatizar os Ap Tchaguis (acompanhados de dois socos), os Yop Tchagui e Kulo Yop Tchagui (semi-pulo que notabilizou Bruce Lee) e, sem dúvida, não negligenciar com os saltos e giros, movimentos que sempre caracterizaram o taekwondo.

O taekwondo enfeiou e afastou o praticante. Custou e ainda está custando o professor entender que o aluno, primeiro entra na academia pensando em aprender a se defender. Depois, com o decorrer das aulas marciais, é que se descobre, ou não, competidor.

A CBTKD e as Federações de todo o Brasil precisam parar e refletir sobre este assunto, pois só teremos um bom número de bons competidores se primeiro tivermos uma enorme quantidade de praticantes treinando nas mais diversas academias de todo o Brasil.

sexta-feira, 5 de março de 2010

TAEKWONDO BRASILEIRO AGONIZA

É com muita tristeza que vejo hoje os caminhos pelos quais estão sendo conduzidos o taekwondo brasileiro. Cada dia que passa fico mais decepcionado com o jeito de administrar da Confederação Brasileira de Taekwondo, que tem como titular o grão-mestre Jung Roul Kim, quem me ensinou todas as técnicas de arte marcial do taekwondo. Pessoa que respeito como grande conhecedor da arte marcial, mas que me oponho frontalmente quando o assunto é administração de entidades. O grão mestre não está indo pelo caminho certo, pois em vez de divulgar o taekwondo de forma mais incisiva, esquece-se que esse seria o principal papel que deveria desempenhar.
No aspecto técnico, o meu amigo Fábio Goulart também utiliza um sistema que, na minha opinião, é completamente furado. Pra mim, esse negócio de seletiva no início do ano mantendo os atletas na seleção durante todo o calendário esportivo da CBTKD não é o mais sensato. No entanto respeito suas intenções.
Eu sempre disse ao Fábio, ao Madureira, ao Negrão e a diversos outros treinadores que é preciso fazer com que os atletas brasileiros tenham a oportunidade de fazer intercâmbio internacional dentro do próprio país. E para que isso aconteça, basta que ocorram competições seletivas com a aparticipação dos principais atletas. Eu não entendo como até hoje, por exemplo, o Mauro Hideki e o próprio Fábio nao criaram o ranking nacional.
O Mauro é um cara supercompetente. Ele, juntamente com o Fábio, o Madureira e o próprio Negrão, criariam um ranking com os pés nas costas. Isso seria o primeiro passa de diversos outros que precisam ser dados.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Em defesa do futuro

Marcus Rezende

Comenta-se pelos bastidores da CBTKD e de algumas federações que o fato de eu ter entrado com um pedido de ação junto ao Ministério Público Federal para que a justiça impeça que continuem ocorrendo competições com crianças menores de 14 anos nos moldes olímpicos é um ato danoso às crianças que desejam no futuro ser campeãs.
É preciso inicialmente observar que competição com crianças no moldes olímpicos, além de ser nociva o é também para professores e mestres, mesmo que estes não percebam isso. Deve-se analisar se esta criança continuará matriculada até os 14 anos. Muitas vezes ela é exposta desde os oito anos ou menos e quando chega aos 14 anos, já abandonou faz tempo a modalidade.
Dentre tantos fatores que poderia mencionar e abordar deixo a análise da preservação do jovem matriculado na academia, pois a não exposição da criança à violência dos golpes do taekwondo competitivo o mantém treinando e pagando a mensalidade. Isso é de extrema importancia a quem ganha a vida dando aula de taekwondo.
Atualmente a situação chegou a níveis alarmantes. O que antes começava nos 30 kg e ia subindo gradativamente sem nenhuma forma de estudo científico (e mesmo que existisse seria motivo de críticas acerbas), passou a se subdividir em pesos menores, com os adultos se deleitando, achando isso o mais normal possível. Duas crianças de cinco anos, chutando uma a outra, com técnicos, pais, coleguinhas, enfim, todos gritando: vai...chuta...pega ele.. e, em diversas ocasiões, crianças chorando e professores e pais achando isso normal. O resultado, na maioria das vezes, é a saída da criança da academia.
Por outro lado, há os que defendem a continuidade de tais combates visando à preparação da criança à categoria juvenil. Esquece-se que é na categoria juvenil que começa a preparação, para o objetivo maior: a categoria adulto. A criança com menos de 14 anos pode muito bem ser preparada tecnicamente de forma inteligente e segura e somente começar a ser exposta ao combate olímpico na idade onde as categorias de peso são reconhecidas mundialmente.
Em suma, o taekwondo brasileiro vem perdendo adeptos por conta da insensatez de alguns. Quero deixar claro que estou agindo dessa forma pensando no taekwondo e no professor e contra o interesse dos dirigentes de entidades que somente estão pensando nas inscrições desses rebentos.
Mantenho a convicção de que se as regras para a competição infantil fossem adaptadas, com formas diferenciadas de avaliação, mesmo que os insensatos não pusessem seus atletinhas para disputar, haveria outros professores que o fariam com os seus praticantes pequeninos. Daí sim, no respeito a individualidade de cada um deles, no futuro, torna-los atletas.